domingo, outubro 22

LUGARES

Fotografias de Daniel José de Oliveira

Lisboa tem encanto!
É o que anda na boca do mundo; exclamação fruto de toda esta gente de um mundo inteiro que em viagens de três dias vem na busca de viver um tesouro, descobrir Lisboa.

Pois Lisboa não espera por ser descoberta, quanto muito desafia a ser encontrada. Uma cidade com um porto é sempre local de encontros e desencontros, por isso digo encontrar...
Havia encontrado um restaurante bem sui generis. Uma casa em pleno coração nobre da cidade. Falo do Carmo, do largo com o mesmo nome em pleno Chiado onde um dia uma igreja erguida pelo homem foi devastada pela natureza para daí em diante ser venerada como ruína gótica. Um local singular que permite uma vista sobre a parte velha da cidade, a mais velha já reconstruida um número de vezes sem conta. Mas acima de tudo, o verdadeiro ex-libris, gigante escondido deverá ser contemplado ao longe. Vários são os miradouros de Lisboa que permitem olhar com espectacularidade a catedral dramáticamente caída no que na época terá sido o maior desastre da memória.

O largo do Carmo alberga um número crescente de locais a visitar. Refiro-me à Leitaria Académica, casa de grande tradição para a população residente, uma população que foi no tempo erradicada para dar espaço a novos conceitos e novas gentes. Ao Carmo afluiem ruelas esconsas de gente humilde como a calçada do Duque mas também algumas das ruas mais ricas da cidade. A igreja e o estado que já foi totalitário também estão representados. Um quartel e três igrejas em redor atribuiem aos quarteirões uma ordem antiga e estabelecida.

O restaurante, tem um ambiente de cheiros riquíssimo, prova de que a intromissão da cozinha italiana nos cheiros e gostos da India são compatíveis. A ementa divide as opções que se reencontram mais tarde nos pedidos de mesa em mesa. Os homens de tes dourada e de feições delgadas que servem com simpatia e prontidão deixam dúvidas quanto à sua origem. Como, alimento o corpo são e a alma que vai ganhando tranquilidade neste início de noite de domingo mergulhada numa maré de odores puros e preciosos. Os camarões frescos dançam num marinado de pimentos aind estaladiços envoltos num molho delicioso onde o tomate e o azafrão se aliam à pimenta numa viagem degustativa.
Alimento-me e ao mesmo tempo
perfumo o meu estómago.

Excluo o café final, porque ao domingo acabo sempre por tomar o café antes da refeição, não são muitas as vezes que saio de casa mais cedo que a esta nobre hora em que o dia já vencido dá espaço a noites tranquilas.

O pior são as pulgas. Estava a bricar....
Pois Lisboa, é mesmo assim, numa esquina qualquer, atrás de uma porta escondida ou até escancarada podemos encontrar uma gente bem tímida mas brilhante.

Triologia de fotografias tristes